Casal da PB dá volta ao mundo em 365 dias, compartilha experiências e ajuda outros viajantes

Postando e atualizado: 10-03-2019 às 17:25Hs
FONTE DA NOTCIA: G1
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Aimée e Fábio Leal passaram pelos cinco continentes e visitaram 30 países.

O casal de paraibanos Aimée e Fábio Leal, em fevereiro de 2019, desembarcava da viagem que durou 365 dias e encheu seus passaportes de carimbos. Eles, que no início da jornada tinham apenas o primeiro destino definido, passaram pelos cinco continentes e visitaram 30 países sempre tentando se aprofundar na cultura local desses lugares. 

Casados desde 2014, eles contam que foi a paixão por viagens que motivou o próprio casamento. Após encontrarem uma passagem barata na internet, eles resolveram fazer daquela viagem a lua de mel do casal. 

“A gente comprou os tickets e pensamos: Eita! Vamos nos casar que essa viagem já será nossa lua de mel! Faltando 15 dias para a viagem nós fizemos a burocracia do cartório, chamamos nossa família para um restaurante e nos casamos em prol da nossa primeira viagem”, descreve Aimée. 

Depois de quatro anos de casados e mais algumas mochilas feitas e desfeitas eles decidiram encarar um projeto maior. A ideia era passar um ano inteiro viajando. 

Fábio Leal é empreendedor na área de Tecnologia da Informação e trabalha remoto. O fato de poder trabalhar à distância ajudou bastante na realização da viagem. Já Aimée Leal é servidora pública e para poder viajar precisou solicitar uma licença sem vencimento para se afastar do trabalho. 


Início da 'volta ao mundo' 

Em fevereiro de 2018, a jornada começou com destino a Portland, no estado do Oregon, nos Estados Unidos. A escolha dessa primeira parada não foi por acaso. Aimée pretendia aperfeiçoar o inglês, fazendo um curso do idioma, antes de encarar os demais países que estavam por vir. Eles aproveitaram o tempo do curso para conhecer a região, que não tinha críticas tão positivas na internet, mas que acabou por surpreendê-los a ponto de fazê-los pensar em até voltar para morar. 

“Portland foi um dos lugares que mais gostamos. Pela parte de natureza e das trilhas que adoramos fazer, nós achamos que podemos voltar para lá algum dia”, comenta Fábio. 

Depois da América do Norte, eles tinham em mente viajar ao Leste Europeu e Ásia, mas não havia um planejamento. Os próximos destinos seriam escolhidos ao longo da jornada. A intenção era aproveitar para explorar lugares mais "esquisitos" e que poderiam ser mais difíceis de conhecer ao terem filhos ou ao estarem com uma idade mais avançada. 

“Os lugares turísticos ficaram um pouco de lado, pois o interesse principal era tentar entender a dinâmica do local visitado. Saber como que as pessoas vivem, quais suas visões de mundo e sempre tentávamos provar um pouco da culinária local”, resume Fábio.

O casal criou um projeto intitulado de ‘99 Destinos’ para compartilhar suas experiências. Eles se utilizaram de três plataformas digitais para divulgar fotos, vídeos e relatos das viagens. O interesse inicial era de guardar as memórias e facilitar o acesso dos familiares aos acontecimentos, mas demais usuários das redes sociais também começaram a acompanhá-los. 

O contato com esses outros viajantes enriqueceu ainda mais a viagem deles. As trocas de informações fluíram e eles também começaram a ajudar os marinheiros de primeira viagem. 

“Foi muito gratificante o retorno que tivemos de outros viajantes. Além de viajar também ajudávamos outras pessoas que estavam na estrada”, conta Aimée.

O tempo de estadia em cada local dependia bastante do que se tinha para fazer na região. Eles tentavam passar pelo menos sete dias nas acomodações, já que Fábio precisava trabalhar durante a semana e Aimée tinha que organizar a compra de passagens, itinerário, reservas e fazer as pesquisas de quais seriam os próximos passos, além de alimentar as plataformas virtuais do casal.


As estadias em que eles ficaram foram das mais diversas. Passaram por hotéis, apartamentos alugados, pousadas, campings, motorhome e até dormiram em barcos - estes, durante trajetos entre ilhas na Tailândia. 

Eles também utilizaram do serviço de couchsurfing por três vezes durante a viagem, que é uma plataforma de trocas culturais em que o anfitrião oferece estadia para viajantes que queiram socializar. Não sendo necessário pagamento em dinheiro, mas trocas de experiências. “Nesse tipo de plataforma sempre procurávamos por casas que tinham crianças, pois assim teríamos a possibilidade de encontrar um ambiente mais familiar”, explica Fábio. 

Eles relataram que como não tinham roteiros fechados, o que guiou a viagem foram os preços das passagens. Sempre tinham um valor estipulado para os gastos com acomodação e alimentação, mas o deslocamento dependia de promoções. Como tinham flexibilidade e tempo disponível, podiam utilizar dessa estratégia para economizar. Os meios de transporte que eles utilizaram nesses deslocamentos foram vários. 

“Utilizamos trem, ônibus, carro, avião e até balão, mas o balão não foi bem para se deslocar e sim a passeio”, comenta Aimée. 

Durante todo o período da viagem a comunicação foi quase toda em inglês. Na maioria dos lugares por onde passaram, a língua inglesa, os aplicativos de tradução e as mímicas lhes foram suficientes. Houve algumas exceções como em uma pequena vila na Áustria, em que as pessoas mais idosas não eram fluentes no inglês e no Marrocos, onde eles perceberam que as negociações nas compras eram mais bem aceitas se fossem feitas na língua local. 

Aimée fala que eles tiveram experiências pontuais em alguns países que foram bem marcantes, destacando: passear de balão na Capadócia, na Turquia; exploração de cânions no Arizona, nos EUA; outono na Ilha Nami, na Coréia do Sul; e as paradisíacas praias da Tailândia. 

Dos 30 países que visitaram o único que não pretendem voltar é a Índia. Eles disseram ter passado por experiências negativas, além dos graves problemas sociais. "Eu vi a Índia como um bom local para se ver o que não se fazer quando se vive em sociedade. É preciso pensar no coletivo e quando passamos a pensar apenas no individual, acabamos em um cenário de caos como o que vimos. É bem pesado, é bem difícil a situação lá", relata Fábio. 

O fim da jornada

Encerrada a viagem, o casal pretende ter filhos e procurar novas viagens em formato de família, como um próximo desafio. Para Aimée e Fábio, o ano na estrada foi muito rico para o crescimento espiritual e emocional. A viagem os ensinou a buscar o equilíbrio cada vez mais. As trocas culturais os fez ampliar as mentes e melhorar os julgamentos, com aprendizados para toda uma vida. 

“O mundo é injusto, mas também é muito bonito”, conclui Fábio.


Dicas do casal para viajantes principiantes

Viajar com malas pequenas. Toda a viagem deles foi feita apenas com uma mala de 10 kg e uma mochila de costas para cada um.

Chips de internet local. Em todos os países em que chegavam eles sempre compravam dois chips de operadoras diferentes para não correr o risco de ficar sem internet. Esses chips são bem fáceis de encontrar, muitas vezes até nos aeroportos. Com o acesso à internet as facilidades para ter informações são maiores.

Separar uma média de gastos por dias de viagem. Eles equilibraram, durante a viagem, o que pretendiam conhecer e o quanto podiam gastar, sempre tendo em mente o gasto diário, o que foi mais fácil para controlar as finanças.

 




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